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Era uma vez, Maquiavel no liquidificador

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   Na observação simples do domínio do Sol sobre a Terra na tarde que cai, vê-se o brilhar intenso da peça que ilustra a cabeça e ornamenta um título, a coroa polida e cravada de pedras preciosas. A Figura dada a apreciação imaginária de contos que constroem a figura de um ente que ocupa a cadeira e pressupõe a consolidação do poder, o Príncipe, que servirá a manter-se a soberania de um arranjo que se fará compreendido como o Estado.     O príncipe caminha vagarosamente por uma estrada de inquietações e turbulências, não para resgatar a donzela perdida e dar-lhe um beijo de “amor verdadeiro”. A única donzela em perigo é o poder e as suas ramificações complexas. O príncipe tem alguns caminhos distintos para beijar o poder e deitar-se no seu leito tendo orgasmos triunfantes na sua tão desejada soberania e Maquiavel descreve e exemplifica esses caminhos que de longe são o mais romântico conto de fadas. O domínio e o poder do príncipe podem vir com o sangue ou ...

Desemprego em milhões, mas e para as pessoas Trans e Travestis?

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  De acordo com o site da Folha de São Paulo ( https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2020/02/taxa-de-desemprego-fica-em-112-em-janeiro-diz-ibge.shtml ) a taxa de desemprego ficou em 11,3% no trimestre encerrado em janeiro deste ano - 2020 - com elevado aumento da informalidade. Olhando para esse quadro que vem se estendendo nos últimos anos e afetando muitas pessoas, pensemos sobre como é viver  com o desemprego e a informalidade, mesmo quando a taxa de desemprego está baixa no país. Por trás de todo e qualquer índice social e econômico há pessoas com suas histórias e especificidades, isso é evidente, e que os números são incapazes de retratar as subjetividades, mas quando se trata de dados sobre a Comunidade transgênero no Brasil é possível dizer que a realidade vivida por estas pessoas é quase que invisível aos olhos dos principais institutos de estatística. É possível dizer que são praticamente esquecidas, pelos números, pela sociedade e pelo Estado. Convido-o ...

NÃO VEJO NADA!

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NÃO VEJO NADA; foram anos a fio, corte e navalha para entender minha sexualidade, minha identidade, para encontrar aqueles 99% que me direcionam, me movem e me completam. Eu sofri em demasia para criar uma identidade que me deixasse bem, que me fizesse feliz. Cada dia dos últimos anos foi uma descoberta para meu autoconhecimento, foram dias dolorosos e noites de infortúnio. Foram soluços silenciados no travesseiro à noite. Foi a vontade miserável de não querer mais viver, de arquitetar a morte e não poder morrer.  NÃO VEJO NADA; é como se estivessem me sugando para aquela pele velha, aquela caixa sombria e gélida onde como imã me grudava com violência a um só polo. Aquela caixa, aquele corpo que às vezes surge no reflexo e cujo qual não sei o que fazer. Meu peito seco, tão oco e abafado pressiona o choro, mas a lágrima nem mais escorre. A face é parada e sinistra, a morte com sua capa branca, anéis nos dedos e crucifixo no pescoço reza ao lado do meu leito. Eu às vezes...

Amem corpes Trans !

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Quando se é Trans, normalmente nem tem quem lhe dê a mão... então... .    Eu sou a Ju, e como uma postagem inicial do Blog, irei fazer um desabafo: Minha irmã mais velha me perguntou se agora que eu me reconheço como pessoa Trans, se eu tenho mais relacionamentos que quando eu me identificava somente como um gay Cis. Eu falei que não sabia responder, mas parei para analisar e refletir sobre.    Em determinado momento notei que quando eu me compreendia e performava Gay e Cis, eu recebia poucas propostas de sexo casual e muito mais afetos e enfim, algo a mais que sexo. Hoje que me compreendo e performo Trans e Pan, eu obtenho mais propostas de sexo casual que de afeto. Ou seja, a sexualização do meu corpo pelo externo interpessoal das relações aumentou conforme meu transicionar.     Penso e tenho uma leitura sobre a vida muito da minha tentativa de sobrevivência nesse mundo de norma CISheteropatriarcal . Quando observo os fatos e as estruturas sociais...