Era uma vez, Maquiavel no liquidificador
Na observação simples do domínio do Sol sobre a Terra na tarde que cai, vê-se o brilhar intenso da peça que ilustra a cabeça e ornamenta um título, a coroa polida e cravada de pedras preciosas. A Figura dada a apreciação imaginária de contos que constroem a figura de um ente que ocupa a cadeira e pressupõe a consolidação do poder, o Príncipe, que servirá a manter-se a soberania de um arranjo que se fará compreendido como o Estado.
O príncipe caminha vagarosamente por uma estrada de inquietações e turbulências, não para resgatar a donzela perdida e dar-lhe um beijo de “amor verdadeiro”. A única donzela em perigo é o poder e as suas ramificações complexas. O príncipe tem alguns caminhos distintos para beijar o poder e deitar-se no seu leito tendo orgasmos triunfantes na sua tão desejada soberania e Maquiavel descreve e exemplifica esses caminhos que de longe são o mais romântico conto de fadas. O domínio e o poder do príncipe podem vir com o sangue ou sujo do de outros, na honra ou na astuta inteligência. Esse poder amante do principado é e se faz numa formatação que longe está da doçura de uma princesa. O Príncipe amará mais sua espada que sua esposa, configurar-se-á na constante reação de manter-se com a permanência de sua soberania engendrando na coordenação e articulação de seu poder.
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Suas noites mais quentes serão com a soberania, nestas não é a princesa que deleita o paladar do príncipe, mas as formas com que este se manterá deitado e as posições que o tomarão no ciclo dos dias e noites de seu absolutismo. De olho no centralizar-se na posição de organizador, cria as leis e as armas. Calça-se em luvas de poder e de como mantê-lo, articula mais que sua coluna e vértebras a melhor margem para concentrar suas ações. É dessa copulação do príncipe com o poder que o Estado surge como a luneta de âmbar na escuridão de sua própria obscuridade de conflitos e guerras.
O Estado está inconclusivo de ser o corpo representativo dos anseios do povo. É uma força que se encontra na proeza de tentar instaurar a lei e ordem, através de vários aparelhamentos. E o que chama mais atenção é a ordem, que não somente pressupõe alguém acima, mas uma força que dita e vigia tudo para manter a centralidade do poder. Nasce então a preocupação com a força através das armas e como esta corresponde a máxima para existir o poder e a soberania. O príncipe assim dorme e acorda com sua espada e não com sua esposa.
Na sedenta neblina o cavaleiro que diz ter visto os dragões e os povos com grandes poderes parece louco. Não tem dragão ou coisa assim, tem-se o intuito de mover ao domínio do medo e a promessa de nomear a honra. O príncipe só quer ter é a melhor forma de conseguir legitimidade para justificar que o povo lute e fielmente morra para que o seu absolutismo submeta outros aos seus domínios. Sendo assim o único dragão que cospe fogo é seu exército com a chuva de flechas em chamas queimando e exterminando povos em territórios para seu domínio, escraviza seus sobreviventes e perpetua a sua glória a um ato figurado quase inumano de poder e soberania. Na história do príncipe não tem fada, duende ou bruxa, menos ainda felizes para sempre.
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>>>> Esse texto é parte de um trabalho que escrevi no 1º período de filosofia na Uerj, para a disciplina de Filosofia Social e Política. A bibliografia foi o Príncipe, de Maquiavel, e nesse trecho eu tento construir uma leitura crítica da obra. Nesses tempos de discussões sobre política e poder, sobre estado e soberania, acredito ser construtivo algumas reflexões que instiguem a pesquisa e o interesse pela leitura e análise crítica. O mundo é feito da diferença e da subjetividade em interação, por isso as leituras que cada um tem do mundo são diferentes, como diz Paul Preciado: não existem textos originais, como tampouco há línguas nacionais puras às quais estes possam ser remetidos. Toda leitura já é um processo de tradução. Então... traduzam o mundo a sua volta!!!
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Leia Maquiavel - O Príncipe.(http://lelivros.love/book/download-o-principe-nicolau-maquiavel-epub-mobi-pdf/)

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